Rádio

Março 7, 2009 por Senhorita Mesquita

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Incoerências da vida adulta I

Janeiro 22, 2010 por Senhorita Mesquita

Bom dia,  criaturas diversas do planetinha azul. Hoje começa uma Série aqui no Pitadas de Opinião que terá duração ainda não definida. É a Série “Incoerências da vida adulta”. Aqui serão tratadas aquelas imbecilidades baseadas em porra nenhuma que regem o comportamento social por séculos. Sei que sou um pouco radical, às vezes. Alguém tem de ser.

Poucas coisas na vida se tornam tão difíceis quanto acreditar, crer em alguma coisa. E não venha me dizer que é às custas do caráter corrompido da humanidade, que com o passar do tempo percebemos a podridão do homem, a capacidade de  ser mau, ou qualquer outra coisa que explique a descrença humana como fruto de coisas que estão fora do alcance de criaturas diversas, como eu e você. A verdade, a mais pura verdade, é que não acreditamos em quase nada porque, quando crianças, mentiram pra nós a torto e direito.

Exatamente, o que acontece é que algum filho da puta vem com uma história absurda e praticamente te obriga a acreditar naquilo. O fulano inventivo e sem mãe vira pro menino e conta uma história cheia de falhas e erros de continuidade e fica esperando que ele acredite. Claro que criança não é boba e começa a perguntar, perguntar, perguntar, perguntar – porque é fácil perceber que aquela história de um velho barrigudo que faz brinquedo pra todas as crianças do mundo durante o ano e entrega num trenó fodido com umas renas mágicas puxando, todos eles em uma única noite, é uma furada. Aí o sujeito, não satisfeito em ter inventado uma história de merda, insiste na mentira até você acreditar.

Pinocchio, conto de Carlo Collodi. Combustível do monopólio da mentira.

Onde está, por exemplo, o babaca que disse pra alguém que se você mentir o nariz cresce? Como a cara desse sujeito não queima, meu Deus? Por que diabos alguém acredita que é melhor inventar uma mentira cabeluda e descabida pra inibir alguém de mentir? Caralho, se você acha que mentir é um problema, porque então você está mentindo? Meu deus. Eu fico absurdamente puta com esse tipo de conduta. Respirei, contei até dez. Dá pra continuar a escrever, agora.

Cegonhas, papais-noéis, coelhos dos ovos de chocolate, homens do saco, bichos papões, e toda aquela corja que só existe na imaginação imbecil dos adultos – incapazes de formular uma única história com nexo -, passam a fazer parte do cotidiano da pobre da criança que NUNCA pediu pra saber dessas coisas.

Pois muito bem, anos passados, vem algum outro babaca, provavelmente um pouco mais velho que você, e conta que tudo no que você acredita é mentira. O engraçadão desmancha seus sonhos como paçoca em boca de banguela. Você consegue perceber a crueldade em fazer esforço pra que a criança entenda quem é o fulaninho imaginário, o que ele faz, com a ajuda de quem, onde ele faz, como ele faz, o que acontece com ele e companhia limitada, pra depois você falar que era uma mentirinha, uma brincadeirinha de mau gosto pra dar mais magia ao natal e a criança não achar um saco ter que ficar acordada até tarde com um monte de gente chata apertando as bochechas.

A pior parte? Quem faz essa baita sacanagem com o menino, geralmente, são os pais. Eu tenho vontade de mandar à puta que pariu, mas percebo que não há noção da crueldade. Você, que ensina seu filho a falar a verdade mesmo que ele vá se foder com isso, mente pra ele sem a menor razão aparente! E então, a partir deste momento, passa a ser instaurada a primeira incoerência da vida adulta. Você se acha no direito de mentir pra criança deliberadamente pra ver que gracinha é seu filho acreditar em qualquer imbecilidade que você inventar, mas não quer que ele minta pra você em situações em que ele sente medo de contar a verdade. Não preciso nem dizer quem é que, na verdade, está sendo imbecil, não é?

Então você entra num ciclo vicioso do monopólio da mentira, onde só os mais velhos podem mentir – ou no qual você só pode mentir em situações em que a mentira é usada para não piorar as coisas. Mas o que fode as coisas por completo é que, ao mesmo tempo em que somos ensinados a mentir, começamos a perceber que todo mundo mente. Simplesmente todas as pessoas aprendem que pra conviver em sociedade é preciso saber sair pela tangente de fininho inventando uma historinha de nada que não faz mal há ninguém.

A verdade é que acreditar nas pessoas, em sentindo amplo, se torna alguma coisa cada vez mais difícil. Ficamos desconfiados o tempo todo, policiando e filtrando cada coisa que é feita ou dita por alguém. A decepção, talvez, seja o maior dos males, o maior obstáculo para se acreditar de novo.

Mas acreditar é possível. É uma escolha. Acreditar é uma questão racional, consciente. E aos que acreditam que acreditar é fazer papel de imbecil, não resta qualquer possibilidade de explicação. Sem confiança a vida se torna amarga e insuportável. Acreditar é desamarrar os laços da inocência em acreditar que a mentira é uma proteção contra o mundo. Isso é só outra história pra boi dormir que andam contando.

Explicações póstumas de um blog vivo.

Janeiro 22, 2010 por Senhorita Mesquita

Para aqueles que vieram me perguntar a razão de eu ter abandonado o palheta e caneta no segundo semestre do ano passado, eis a explicação.

Caríssimos leitores, pelos quais nutro apreço imensurável,

Venho por meio desta nota-carta virtual para me explicar. Antes de mais nada, digo que foi uma tortura ficar longe do blog – afinal eu não faço nada da minha vida, não trabalho, não estudo, não faço faculdade e nem tenho vida social.

Por isso, agradeço, imensamente e eternamente, todos aqueles que me indicarão a salvação de uma vida tediosa com perguntas interessantíssimas e sugestões de assuntos a serem tratados aqui com a minha acidez e educação inerente. Muito obrigada, senhores.

De qualquer maneira, na tentativa de não mais decepcionar tão nobres leitores quanto os que agora me lêem nessas linhas pixealizadas, prometo ser fiel ao meu público que encontrará novos posts com uma frequência deveras maior do que de 9 em 9 meses. A intenção é boa. Prometo escrever ao menos uma vez por semana, é suficiente?

Sem mais,não tardo a me despedir na certeza de que não havia outra ou melhor forma de dar esse recado. Agradeço a compreensão e adiciono o quão lisonjeada me senti ao receber pedidos de volta.

Com carinho, amor e dedicação integral,

Diversão absoluta!

Março 17, 2009 por Senhorita Mesquita

Dia 4 de abril a gente tem diversão garantida. Pra quem não sabe, vai acontencer o Pillow Fight Brasil, a guerra de travesseiros mais divertida do planeta! Aqui em BH, vai ser na Praça da Liberdade. Mas procure no site onde será na sua cidade!

Um beijo e até lá!

Regras Vigentes:

1- Espalhe o Pillow Fight Club para todo mundo
2- Para todo mundo mesmo
3- Traga a almofada/travesseiro dentro de um saco grande, ou de lixo. (Para não ficar evidente)
4- A batalha começa às 17 em ponto, NÃO antes. Deve chegar um pouco antes, e vaguear pelo resto do local. Só às 17:00 vá para o ponto designado e tire a almofada do saco.
5- Se uma pessoa protestar, ou não tiver almofada, não poderá lutar com ela.
6- É proibido lutar com outros objetos que não são almofadas, colocar coisas pesadas dentro das almofadas/travesseiros, ou usar violência.
7- São proibidas manifestações políticas ou ideológicas.
8- A batalha continua até acabar.
9- Quando acalmar, vê se há alguma almofada que não tenha sobrevivido. Faremos um funeral com honras de estado, ou apenas jogue-a no lixo.
10- Se houver imprensa presente, a resposta oficial a qualquer pergunta é “Vim agora do Barro Preto*, fui lá comprar almofadas. Passei aqui na Praça da Liberdade e de repente me jogaram no meio disto.”
(* Podem substituir pelo que quiserem, desde que venda almofadas/travesseiros. O importante é fingir-se de despercebidos e não caírem no jogo dos jornalistas.)
11- A batalha ocorrerá apenas na parte da Praça da Liberdade especificada.
12- Venha com uma bermuda de uma cor primária (amarelo, vermelho, azul, verde). Se tiver uma almofada/travesseiro extra, pode trazer; alguém com certeza vai se esquecer.”
13- Almofadas/Travesseiros de penas são aconselhados.
14- Ajude a limpar no final!

 

Site do Pillow Fight Brasil

A ver você

Março 16, 2009 por Senhorita Mesquita

E não haveria nada – e nem ninguém
Nem crepúsculo, aurora ou madrugada
Nem estrada ou trilho de trem
Nem canção, nem sussuro e nem palavra.

Não haveria perfume e nem vestido
Não haveria, sequer, sentido.

Não haveria sorriso e nem lágrima
Não haveria sonho nem segredo
Não haveria nem Deus, nem dádiva
Nem velas acesas, nem reza e nem medo.

Não haveria amor, inspiração nem poesia
Não haveria verdade, nem haveria um porquê
-mesmo a vida, não sei se seria.
Se não tivesse no mundo você.

Cause I love you

Março 15, 2009 por Senhorita Mesquita

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Even when you’re teaching me grammar.

Vamos peladar?

Março 14, 2009 por Senhorita Mesquita

Não, eu não escrevi errado. É isso mesmo. É que hoje é dia da 2ª Edição do World Naked Bike Ride SP. Isso não é privilégio de São Paulo, já que a pedalada pelada” acontece por vários lugares do mundo. A intenção é fazer um protesto pra que exista uma área maior destinada aos ciclistas – já que com roupa ninguém liga, quem sabe pelados as pessoas dêem uma atenção maior?

A saída vai acontecer às 14h e os participantes ainda não decidiram qual o trajeto a ser feito. Os participantes vão ficar peladões, completamente nus, com os corpos pintados e quem quiser participar pode se pintar na hora, na concentração dos manifestantes.

Realmente é bacana pedir por mais espaço pras bicicletas, ainda mais em uma cidade como São Paulo que já tem problemas demais por causa do tráfego de carros. Mas a Polícia Militar já avisou que isso é atentado ao pudor e quem não respeitar a lei vai detido. Agora, será que a PM vai conseguir prender todos os pelados? Se vai funcionar ou não, eu não sei. Mas que vai ser impagável, ah, isso vai.

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Jolie très jolie.

Março 13, 2009 por Senhorita Mesquita

 

Quem se lembra do livro das intimidades da atriz/sex symbol Angelina Jolie, escrito pelo ex-segurança Mickey Brett? Eu relembro, o rapaz demitido em 2007 colocou a boca no mundo e foi revelando coisas que as pessoas não sabiam sobre a estrela. Ele contou, no livro, que Jolie começou a namorar seu marido Brad Pitt antes mesmo dele terminar o romance com a Jeniffer Aniston, que ela gosta de realizar fetiches, usar roupinhas de látex e apetrechos sexuais e que teria pulado a cerca, traindo o maridão com uma mulher. Enfim, coisas de Angelina Jolie.

angelina_jolie_7Mas eis que ela continua tendo filhos e tudo mais, até sua vida ficar resumida a carregar mil meninos no colo e fazer caridade. Mas pra quem achou que a emoção ia diminuir, se enganou. Esses dias, depois de chegar em casa e encontrar o esposo massageando a babá dos seus meninos, Angie ficou bravíssima e esbofeteou Brad – além de ter gritado com a babazinha pra sair da sua casa. Dizem que gritou tanto que até os gêmeos acordaram. Quando o bom moço tentou acalmar os ânimos, ela partiu pra um segundo tapa no rosto. 

Claro que a fonte da notícia foi a Revista Quem. E eu não gosto muito dessas notícias de fofoca íntima. Mas essa foi diferente. Porque eu, que já não gostava muito mais da Angie, porque ela tinha passado de exemplo de mulher independente que adota crianças sozinha, que vive bem e que, além de tudo, é uma tremenda gata, virou dona de casa cheia de filhos, aposentando do cinema pra cuidar da casa e o marido trabalhar. Enfim, tinha sido uma decepção enorme.

Agora, ela volta ao melhor estilo mulher-escândalo com pitadas adocicadas de violência, ciúme e paixão. Ela, quando encarna o seu alterego “Lara Croft”, faz sair faísca de qualquer situação. São declarações chocantes dadas com naturalidade, é a sobrancelha levemente levantada e um sorriso sarcástico. E agora, na sua nova versão, incluímos na lista o quesito “violência doméstica”. 

E é por isso que, quando se trata de Angelina Jolie, nem ser dona de casa é monótono. Esperamos pelos próximos capítulos.

Tree Huger

Março 12, 2009 por Senhorita Mesquita

 

Uma salva de palmas para Paul McCartney que fez duas coisas geniais em sua vida: Come Together e Stella McCartney. 

 

Divulgação

Stella McCartney's Green Line

“For me it is the principle.  I don’t understand why these beautiful creatures have to die for someone’s coat.  It’s both medieval and barbaric. I think there are plenty of alternatives out there.” MCCARTNEY, Stella.

Atiradores da elite

Março 11, 2009 por Senhorita Mesquita

Mais um caso de adolescentes com acesso a dinheiro para comprar armas e nenhuma estrutura psicológica. O sociopata, dessa vez, foi um alemão de 17 anos que deu tiros a esmo em uma escola técnica, perto de Stuttgart. Depois de matar 16 pessoas, o garoto pôs fim na própria vida – o que vai de encontro das primeiras informações que diziam que a morte havia sido fruto de uma troca de tiros.

 

Créditos: Portal Terra

Créditos: Portal Terra

O rapaz, que usava roupas militares, abriu fogo pelo menos 26 pessoas – alunos, professores, funcionários e quaisquer outros que se colocaram em seu caminho. A reflexão que nos cabe fazer, com uma pitada de opinião, é se esses atiradores suicidas, são vítimas de qualquer sistema. Acho engraçado ver o comentário corriqueiro de que, caso eles houvessem sido amados e aceitos na sociedade, as coisas seriam diferentes. Acho igualmente cômico quem acha que a culpa é exclusivamente do indivíduo que pega uma arma e descarregando a arma dentro da escola. Sejamos sensatos. Não há como achar um único problema, um único vilão. Eu continuo pensando que há espaço pra todo mundo achar sua parcela de culpa. O Estado que não garante que uma arma não chegue nas mãos de um menino despreparado; dos pais que, por qualquer razão não perceberam o que estava acontecendo com seu filho; do filho que é um sociopata. Minha e sua também. Culpa nossa que já não nos chocamos quando lemos um absurdo desses. Que já banalizamos a violência e enxergamos todos os casos como “agora é moda isso”. 

 

Leio, com frequência, que isso é falta de Deus. Que se fossemos todos evangelizados e tudo mais, não aconteceriam essas chacinas. Não acho absurdo, porque crença é crença. Mas acho omisso. É fácil livrar-nos da culpa, amém. É fácil não reconhecer que somos atores sociais, responsáveis em algum grau pelas mazelas que a nossa sociedade cria. Não acho que seja falta de Deus. É egocentrismo.

“A Máquina de lavar e a liberação das mulheres –ponha detergente, feche a tampa e relaxe”.

Março 9, 2009 por Senhorita Mesquita

Não é de graça. Depois do absurdo do arcebispo que excomungou todos que participaram do aborto da menina de 9 anos que eu descrevi, agora o pessoal do vaticano me solta uma nova.

O jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, publicou que a máquina de lavar foi mais importante para as mulheres no século passado do que a pílula anticoncepcional e que o acesso ao mercado de trabalho. Piada, não? Aí eles contaram a a história da máquina de lavar, desde um modelo alemão até os dias de hoje, que possibilitam a mulher de ter outras atividades enquanto lava a roupa, como tomar um capuccino com as amigas.  

Agora o mais engraçado, esse artigo foi publicado em homenagem ao dia internacional da mulher.

Aí ainda me citam a feminista Betty Friedan, descrevendo “”o momento sublime de poder trocar a roupa de cama duas vezes por semana em vez de uma só”, em 1963.

Ainda no absurdo sexista, típico da Igreja Católica, eles continuam dizendo que muito embora no ínicio o eletrodoméstico fosse muito caro, com o avanço da tecnologia, nós já podemos ver “a imagem da super mulher, sorrindo, maquiada e radiante entre os equipamentos de sua casa”.

Lamentável. Menos um ponto para a Igreja. E mais um motivo pra eu entender porque não sou mais católica.